Paulo Mendes da Rocha construiu seu legado com concreto armado

Arquiteto morre aos 92 anos e deixa obras icônicas, que abrangem casas, escolas, capelas, museus e estádios
1 de junho de 2021

Paulo Mendes da Rocha construiu seu legado com concreto armado

Paulo Mendes da Rocha construiu seu legado com concreto armado 1024 768 Cimento Itambé
Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia (MuBE), em São Paulo-SP: o concreto armado como marca registrada de Paulo Mendes da Rocha Crédito: Paulisson Miura/Wikimedia Commons

Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia (MuBE), em São Paulo-SP: o concreto armado como marca registrada de Paulo Mendes da Rocha
Crédito: Paulisson Miura/Wikimedia Commons

O legado deixado pela obra do arquiteto Paulo Mendes da Rocha foi construído literalmente com concreto armado. O material, em sua forma aparente, está presente em todos os seus projetos, passando por casas, museus, ginásios, estádios e capelas. Pertencente à chamada Escola Paulista, cujo mentor é Vilanova Artigas, Paulo Mendes da Rocha a seguiu à risca. O principal conceito da filosofia arquitetônica é: “A arquitetura deve ser crua, limpa, clara e socialmente responsável”. 

Um dos principais expoentes da arquitetura brasileira, ao lado do próprio Vilanova Artigas, Oscar Niemeyer e Ruy Ohtake, Mendes da Rocha morreu dia 23 de maio, aos 92 anos, mas o brutalismo de suas construções terá vida longa. Foi o que o fez ser reconhecido internacionalmente, e que em 2006 lhe rendeu o Prêmio Pritzker – considerado o “Nobel da Arquitetura” -, em 2016 o Leão de Ouro da Bienal de Veneza e em 2017 a condecoração RIBA Gold, concedida pelo Royal Institute of British Architects. Poucos dias antes de morrer, foi homenageado também com a medalha de ouro da União Internacional de Arquitetos. 

Paulo Mendes da Rocha tem uma obra variada, mas os projetos de museus e de casas foram os que mais se destacaram. São dele o Museu da Língua Portuguesa e o Museu Brasileiro de Escultura e Ecologia (MuBE) – ambos localizados na cidade de São Paulo -, além do Museu Nacional dos Coches, em Lisboa-Portugal. Entre as casas, destaque para a que o arquiteto construiu nos anos 1960 para morar. Chamada Casa Butantã, por estar no bairro paulistano de mesmo nome, é considerada inovadora, pois foi a primeira no Brasil a utilizar elementos pré-moldados de concreto. 

Também é de autoria de Paulo Mendes da Rocha o projeto do estádio Serra Dourada, em Goiânia-GO. Em 2020, o arquiteto doou seu acervo para a Casa da Arquitectura de Lisboa. São 6.300 desenhos feitos à mão, slides, 3 mil fotografias, 300 publicações e maquetes de 320 projetos. Questionado do porquê de ter levado o legado de sua obra para fora do Brasil, ele justificou dizendo que as construções sempre vão continuar no país. “Os prédios que eu construí sempre estarão aqui. Cuidem deles, pois sempre serei um arquiteto brasileiro”, disse. 

Como professor da USP, arquiteto também ajudou a formar profissionais 

Paulo Mendes da Rocha doou seu acervo para a Casa da Arquitectura de Lisboa, mas a maior parte de suas obras podem ser vistas na cidade de São Paulo Crédito: IABSP/YouTube

Paulo Mendes da Rocha doou seu acervo para a Casa da Arquitectura de Lisboa, mas a maior parte de suas obras podem ser vistas na cidade de São Paulo
Crédito: IABSP/YouTube

Além de projetar obras, Paulo Mendes da Rocha também atuou como professor na Faculdade de Urbanismo e Arquitetura da USP, entre 1961 e 1969 e depois de 1980 até 1998. Foi também um dos líderes do movimento que resultou na criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), em 2010. A atual presidente nacional do CAU, Nadia Somekh, definiu em nota a importância do arquiteto. “Paulo Mendes da Rocha deixa um legado de obras-primas, resultado de uma prática profissional marcada pela ousadia e apuro tecnológico. Além disso, foi um educador generoso, não apenas como professor, mas também na convivência diária com os colegas com quem trabalhou em projetos e em obras”, diz. 

Nascido em Vitória, no Espírito Santo, Paulo Mendes da Rocha começou a exercer a profissão de arquiteto em 1955. Em 1958, ganhou o concurso para projetar o ginásio do Clube Athletico Paulistano, um dos mais tradicionais da capital paulista. A obra foi premiada na Bienal Paulista de 1961 e fez deslanchar a carreira profissional. “A partir daquele projeto me tornei um arquiteto”, declarou, em uma das várias entrevistas concedidas ao longo de sua vida. 

Entrevistado
Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), Instituto de Arquitetura do Brasil – departamento São Paulo (IABSP) e Casa da Arquitectura de Lisboa 

Contato
atendimento@caubr.gov.br
iabsp@iabsp.org.br
info@casadaarquitectura.pt

Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330

1 de junho de 2021

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