Norma requalifica profissionais da área de concreto

22 de fevereiro de 2011

Norma requalifica profissionais da área de concreto

Norma requalifica profissionais da área de concreto 150 150 Cimento Itambé

Revisão da parte 1 da NBR 15146 altera procedimentos que envolvem a produção e o uso de concreto estrutural nas obras

Por: Altair Santos

As obras em concreto estrutural realizadas no Brasil são referência internacional. Conta o livro Concreto – História, Recordes e Realizações, de autoria do professor-doutor Augusto Carlos de Vasconcelos, que as construções e as normas que regem a engenharia e a arquitetura brasileiras servem de modelo, inclusive, para o American Concrete Institute. Uma das virtudes é que o país está constantemente aprimorando suas normas, como o que fez recentemente com a norma ABNT NBR 15146-1:2011 – Controle tecnológico de concreto — Qualificação de pessoal – Parte 1: Requisitos gerais.

Simão Priszkulnik: revisão da NBR 15146-1 vai reduzir custos e impacto ambiental das obras.

Previsto para entrar em vigor em 13 de abril de 2011, o reexame da NBR 15146 foi uma solicitação da comunidade técnica, abrangendo construtoras, projetistas, produtores de insumos para o concreto estrutural e empresas de controle tecnológico. A coordenação dos trabalhos coube ao professor da Universidade Mackenzie Simão Priszkulnik, que teve como relator o engenheiro Bruno Alves de Carvalho – secretariado pela engenheira  Roseni Cezimbra. “O objetivo é estimular a melhoria continuada dos profissionais envolvidos na produção e no controle da qualidade das obras em concreto”, explica Priszkulnik.

A instalação da comissão revisora da norma ocorreu no início de 2010, levando em conta textos-base elaborados pelo Núcleo de Certificação Profissional do Instituto Brasileiro do Concreto e do Setor de Qualificação de Mão de Obra da Petrobrás e das diretrizes do INMETRO. Além das reuniões mensais, o assunto foi discutido em eventos do IBRACON e pela comunidade técnica, através dos comentários emitidos na fase de consulta nacional pela ABNT. Num primeiro momento, foi aprovado o projeto relativo aos requisitos gerais para o controle tecnológico do concreto, chamado de “parte 1″.

Finalizada a primeira etapa da revisão, que abrange o concreto estrutural, começam os reexames das partes que vão de 2 a 5 da NBR 15146, e que englobam pavimentos, pré-moldados, concreto compactado com rolo e concreto massa. “A parte 2, referente aos pavimentos, já está sendo estudada pela comissão. Depois, deverá ser criada uma parte específica para o concreto pré-fabricado, e assim por diante”, diz o professor Simão Priszkulnik.

O coordenador dos trabalhos que reexaminaram a NBR 15146-1 avalia que a revisão ajudará também a reduzir o impacto ambiental gerado pela indústria do concreto.  “Na medida em que ela concorre para a excelência das obras, evitando retrabalhos, desperdício de materiais e menores custos de manutenção, há contribuição importante à preservação do meio ambiente” completa Priszkulnik, para quem a norma também reduzirá os atrasos nos cronogramas das obras. “Com profissionais cada vez melhor preparados, todos os inconvenientes de uma obra tendem a diminuir”, afirma.

Veja como fica a qualificação dos profissionais com a revisão da NBR 15146-1:

Auxiliar
Profissional apto a realizar coleta, redução de amostras de campo (no âmbito das atribuições indicadas no Anexo A da norma) e ensaios básicos de um ou mais grupos de atividades, sem avaliação e emissão de relatórios.

Laboratorista I
Profissional apto a realizar ensaios de um ou mais grupos de atividades conforme Anexo A e efetuar cálculos sem avaliação e emissão de relatórios. Tem sua atuação principal em campo (obra).

Laboratorista II
Profissional apto a realizar ensaios de um ou mais grupos de atividades conforme Anexo A e efetuar cálculos sem avaliação e emissão de relatórios. Tem sua atuação principal em laboratório.

Tecnologista
Profissional apto a realizar ensaios, definir procedimentos executivos de inspeção e amostragem, discernir sobre os limites de aceitação de um ou mais grupos de atividades conforme Anexo A e efetuar cálculos com avaliação e emissão de relatórios.

Inspetor
Profissional apto a realizar todas as inspeções abrangidas na preparação do concreto, a saber: recebimento e armazenamento dos materiais componentes, dosagem, mistura, transporte, lançamento, adensamento, acabamento superficial, proteção, cura, verificação de formas, cimbramentos, armaduras e embutidos. Apto também a analisar e avaliar os resultados dos ensaios discriminados no Anexo A, nos limites de aceitação estabelecidos pelas respectivas normas técnicas.

Obs: os níveis I e II para Tecnologista e para Inspetor foram retirados, pois na prática não se observa esta variação entre os profissionais. Ela só é necessária para os laboratoristas, para os quais cabe diferenciar o profissional de campo e o de laboratório.

Os requisitos de escolaridade e de experiência profissional passaram a ser os seguintes:

* Os candidatos devem apresentar comprovação de conclusão das disciplinas “Resistência dos Materiais” e “Materiais de Construção”.

Entrevistado:
Simão Priszkulnik, engenheiro e professor da Universidade Mackenzie
Currículo

Simão Priszkulnik possui graduação em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1963) e mestrado em Engenharia de Materiais pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (1977). Atualmente é da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Infra-Estrutura de Transportes.
Contato: prisz@mackenzie.br

Crédito Foto: Arquivo pessoal

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
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