Universidade obtém patente para agregado leve de concreto

Feevale, em Novo Hamburgo-RS, desenvolve areia a partir de farelo de resíduos de couro da indústria calçadista
14 de julho de 2021

Universidade obtém patente para agregado leve de concreto

Universidade obtém patente para agregado leve de concreto 1024 640 Cimento Itambé
Corpos de prova de concreto leve com areia desenvolvida na Feevale, a partir de resíduos de couro Crédito: Feevale

Corpos de prova de concreto leve com areia desenvolvida na Feevale, a partir de resíduos de couro
Crédito: Feevale

Em abril de 2021, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu patente para o invento desenvolvido na Universidade Feevale, localizada em Novo Hamburgo-RS. Trata-se de areia leve especial à base de farelo de resíduos do couro wet-blue – rejeito dos curtumes que produzem matéria-prima para a indústria calçadista. O percentual de 25% da areia leve, junto a 75% de areia de rio, produz um agregado, que, segundo os pesquisadores da Feevale, pode substituir o EPS e a vermiculita 

“O invento é um agregado leve alternativo para argamassas à base de Cimento Portland e para a produção de componentes não-estruturais para a construção civil, como blocos de concreto para alvenaria de vedação, divisórias leves e forros”, explica a equipe formada por Patrice Monteiro de Aquim, Vanessa Scheffler Silveira, Alexandre Silva de Vargas e Luiz Carlos Robinson. 

A pesquisa aconteceu no âmbito do programa de pós-graduação em Tecnologia de Materiais e Processos Industriais da Feevale. A região onde a universidade gaúcha está localizada, no Vale do Rio do Sinos, é conhecida nacionalmente como um polo da indústria calçadista. Por isso, o rejeito de wet-blue causa forte impacto ambiental devido ao grande volume que vai para descarte nos aterros industriais. 

Trata-se de resíduo sólido perigoso, como classifica a ABNT, através da norma técnica ABNT NBR 10004 (Resíduos Sólidos – Classificação). Por isso, antes de ser convertido em areia leve, o rejeito é submetido a um processo de hidrólise para a retirada do óxido de Cromo – substância usada para curtir o couro. 

Universidades públicas lideram pedidos de patentes no Brasil 

O Brasil é um dos principais beneficiadores de couro do mundo. Há mais de 300 curtumes no país. A maior parte da produção é exportada para aproximadamente 80 países, gerando receita anual de 3 bilhões de dólares. Para cada tonelada de couro tratado, quase 40% vira resíduo. São 375 quilos que podem ser transformados em farelo e, consequentemente, servir de agregado leve para a construção civil. 

A pesquisa que resultou em areia leve especial à base de farelo de resíduos do couro wet-blue foi a primeira patente obtida pela Feevale. De acordo com o INPI, no Brasil as universidades são as que mais fazem pedidos de depósitos de patentes junto ao instituto. Dos 25 que lideram o ranking, 19 são universidades públicas. Destaque para a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que lidera a lista, com 358 solicitações no período 2014-2019, seguida da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com 357, e Universidade de São Paulo (USP), com 325 

Na relação das 10 primeiras, ainda aparecem a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com 321 pedidos de patente; a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG); com 258; a Universidade Federal do Paraná (UFPR), com 240; a Unesp (Universidade Estadual Paulista), com 227, e a Universidade Federal do Ceará (UFC), com 217. Apenas duas empresas estão no top 10: a Petrobras, na 5ª colocação, com 263 solicitações de patente, e a Whiripool, em 7º, com 246.  

Entrevistado
Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia da Feevale (via assessorias de imprensa)

Contatos
imprensa@inpi.gov.br
nitt@feevale.br
imprensa@feevale.br 

Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330

14 de julho de 2021

VEJA TAMBÉM NO MASSA CINZENTA

MANTENHA-SE ATUALIZADO COM O MERCADO

Cadastre-se no Massa Cinzenta e receba o informativo semanal sobre o mercado da construção civil