Pesquisa tenta criar “filtro solar” para o concreto

    Universidade do Reino Unido trabalha para extrair nanopartículas que, misturadas ao cimento, protegem as construções
    24 de janeiro de 2019
    concreto com nanopartículas de cenoura

    Mohamed Saafi com as amostras de concreto com nanopartículas de cenoura: aditivo natural contra manifestações patológicas. Crédito: Youtube

    Fibras extraídas de cenouras, e transformadas em nanopartículas, têm sido agregadas ao concreto em pesquisa desenvolvida na Universidade de Lancaster, no Reino Unido. A constatação é que os efeitos causados no material são semelhantes aos que protetores solares à base do legume propiciam à pele humana. Ou seja, protegem o concreto dos raios UV (ultravioleta). O objetivo do estudo, que tem prazo até 2020 para ser concluído, é chegar a um aditivo natural para o concreto.

    O estudo revela que as nanopartículas atuam como “filtro solar” e ajudam a proteger o concreto principalmente nas primeiras idades do material, quando ele está mais exposto a fissuras provocadas por retração de origem térmica. “A capacidade de resistência mecânica do concreto apresenta significativa evolução”, diz relatório preliminar, já que a pesquisa terá mais um ano para chegar às conclusões finais. Em 2019, a pretensão dos pesquisadores é testar nanopartículas extraídas de outros legumes para comparar os resultados obtidos com a cenoura.    

    As primeiras impressões revelam que as nanopartículas à base de cenoura trabalham tanto para estimular a reatividade do hidrato de silicato de cálcio como para prevenir contra rachaduras. O estudo está a cargo do pesquisador Mohamed Saafi, professor do departamento de engenharia civil da Universidade de Lancaster. “Os compósitos cimentícios que testamos apresentaram microestruturas mais densas, o que é importante para evitar a corrosão e aumentar a vida útil dos materiais”, diz.

    Estudo também quer chegar a uma tinta que proteja melhor fachadas e estruturas à base de cimento

    Os elementos de concreto produzidos nos laboratórios na Universidade de Lancaster utilizam Cimento Portland comum. No estudo, os pesquisadores detectaram que a flexibilidade do concreto melhorou com a aplicação das nanofibras vegetais. A constatação é de que o material tem desempenho semelhante aos que utilizam fibra de carbono. “Produzimos vigas de concreto capazes de resistir a forças potencialmente prejudiciais quando submetidas a uma carga de flexão”, explica Mohamed Saafi.

    Os próximos passos da pesquisa serão no sentido de descobrir o volume ideal de nanopartículas por m³ de concreto, a fim de que possa ser testado o fck (resistência à compressão) do material. Para os pesquisadores, essa etapa será muito importante, pois pode significar a aprovação do compósito para uso em grandes estruturas, como pontes e viadutos. “Ter esses dados será a fronteira entre uma mera pesquisa de laboratório e a aplicação prática de nossa pesquisa”, afirma o coordenador do estudo.

    Paralelamente aos testes em concreto, o departamento de engenharia civil da Universidade de Lancaster também pesquisa sobre a aplicação das nanopartículas na composição de tintas para revestimentos à base de cimento. A intenção é criar um material que proteja as estruturas e fachadas das ações das intempéries e também das ações dos raios UV e que, ao mesmo tempo, cause menos danos ambientais, substituindo elementos noviços das tintas por componentes naturais.

    Entrevistado
    Reportagem com base em relatório preliminar a da pesquisa, publicado pela Universidade de Lancaster

    Contato: engineering@lancaster.ac.uk

    Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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