Nos EUA, mobilização impede demolição de prédio em concreto aparente

Projetado por Paul Rudolph, edifício Burroughs Wellcome é símbolo da arquitetura brutalista norte-americana
22 de setembro de 2020

Nos EUA, mobilização impede demolição de prédio em concreto aparente

Nos EUA, mobilização impede demolição de prédio em concreto aparente 1024 687 Cimento Itambé

Na Carolina do Norte-EUA, a população que mora no entorno do Burroughs Wellcome decidiu se mobilizar para impedir a demolição do edifício. O novo dono do empreendimento pretendia colocá-lo abaixo dia 4 de setembro, mas teve que recuar diante dos protestos. O prédio é um símbolo da arquitetura brutalista de Paul Rudolph, nascido no estado norte-americano e que morreu em 1997.

Inaugurado em 1972, o Burroughs Wellcome é todo em concreto aparente, com destaque para a textura com agregado fino de calcário. Além de ter sido projetado por um dos arquitetos mais representativos dos Estados Unidos, o edifício também tem ligação com a história da saúde mundial e do cinema. Ele pertencia à farmacêutica que descobriu o AZT – medicamento para o tratamento de aids – e em 1983 serviu de cenário para o filme de ficção científica “Projeto Brainstorm”.

Burroughs Wellcome: agregado fino de calcário dá textura especial ao concreto aparente usado no prédio de quase 50 anos Crédito: Foundation Paul Rudolph

Burroughs Wellcome: agregado fino de calcário dá textura especial ao concreto aparente usado no prédio de quase 50 anos
Crédito: Foundation Paul Rudolph

A edificação tem 1.143 m2 e a licença para a demolição foi conseguida pelo novo proprietário do prédio – a empresa de biotecnologia United Therapeutics – por causa do excesso de amianto no revestimento do piso e do teto do Burroughs Wellcome. Atualmente, materiais de construção com amianto estão banidos dos Estados Unidos e qualquer obra antiga que possua o elemento precisa se livrar dele sob pena de multas milionárias.

Engenheiros civis e arquitetos de grupos de preservação arquitetônica nos Estados Unidos se reuniram para apresentar soluções que permitam ao Burroughs Wellcome passar por um retrofit, livrando-o da demolição. Como o prédio é propriedade privada, a legislação da Carolina do Norte não permite que ele possa ser reconhecido como patrimônio cultural. Essa é uma prerrogativa apenas de edificações públicas no estado.

No Brasil, principal representante da arquitetura brutalista é Oscar Niemeyer

O Burroughs Wellcome, juntamente com o prédio da Escola de Arquitetura e Arte da Universidade de Yale – também nos Estados Unidos -, está entre as duas obras mais representativas de Paul Rudolph. Formado no Instituto Politécnico do Alabama, e com especialização na Escola de Design de Harvard, o arquiteto foi seguidor de Walter Gropius, que se formou na escola de arte vanguardista da Alemanha, a Staatliches Bauhaus – berço da arquitetura brutalista.

O movimento brutalista surgiu entre os anos 1950 e 1960. O propósito original era tornar o projeto e a construção mais baratos e acessíveis à população. O conceito que prevalece até hoje é deixar exposta a parte estrutural das edificações feitas em concreto armado, principalmente vigas e pilares. Daí o termo concreto aparente. No Brasil, o principal representante dessa escola é Oscar Niemeyer, com mais de 500 obras espalhadas pelo mundo.

Já Paul Rudolph usou a arquitetura brutalista principalmente na construção de residências, edifícios públicos e prédios de universidades. Além dos Estados Unidos, ele tem um volume grande de projetos assinados em Cingapura.

Entrevistado
Fundação Paul Rudolph (via assessoria de imprensa)

Contato
office@paulrudolphheritagefoundation.org

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

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