Norma brasileira para prevenir etringita tardia dá 1º passo

Patologia do concreto é de difícil diagnóstico e, muitas vezes, pode ser confundida com Reação Álcali-Agregado
5 de janeiro de 2021

Norma brasileira para prevenir etringita tardia dá 1º passo

Norma brasileira para prevenir etringita tardia dá 1º passo 1024 769 Cimento Itambé
Dormente de concreto com etringita tardia e reação álcali-agregado: patologias podem ocorrer simultaneamente em estruturas. Crédito: LNEC

Dormente de concreto com etringita tardia e reação álcali-agregado: patologias podem ocorrer simultaneamente em estruturas.
Crédito: LNEC

Em uma das reuniões-técnicas de 2020, o IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) decidiu pela elaboração de um guia com medidas preventivas contra a formação de etringita tardia. “Será formado um comitê para a edição do guia, e, paralelamente, a ideia é que seja trabalhado um documento dentro da ABNT/CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados) para resultar em uma futura norma”, revela o geólogo Arnaldo Forti Battagin, gerente de tecnologia da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). 

No final de 2020, ao conceder videoaula para o canal da ABCP no YouTube, Arnaldo Battagin disse da importância dessa medida. “Não existe norma técnica brasileira para prevenção da DEF. Atualmente, a ABCP se baseia em guias da França e de Portugal, elaborados pelo LCPC (Laboratoire central des ponts et chaussées) [Laboratório Central de Pontes e Estradas]) e pelo LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil)”, comenta. Esses guias destacam 6 ações preventivas importantes:

– Limitar temperatura máxima do concreto e da cura (o LCPC define 3 níveis de prevenção).
– Evitar contato da estrutura com água e umidade.
– Limitar teores de sulfato e C3A no cimento.
– Limitar teor de álcalis no concreto.
– Realizar ensaios de desempenho de traços (ciclos térmicos).
– Controlar teor de hidróxido de cálcio (usar adições). 

Mas o que é a etringita tardia? Resumidamente, trata-se de uma patologia do concreto de difícil diagnóstico, e que é causada pela reação química dos sulfatos presentes dentro do material. No longo prazo, pode causar danos irreversíveis às estruturas por ela atingidas. Conhecida internacionalmente como DEF (Delayed Etringite Formation [formação de etringita tardia]) a patologia é diferente da Reação Álcali-Agregado (RAA) mas em condições de campo elas se confundem. “São muito similares e podem induzir a diagnósticos incorretos. Além disso, os fenômenos podem ocorrer simultaneamente”, explica Arnaldo Battagin. “Por isso, um diagnóstico mais preciso deve ser feito em laboratório”, completa. 

Patologia foi descoberta nos anos 1980 e hoje se sabe que existem 3 tipos de etringita  

Descoberta nos anos 1980, na Alemanha, a etringita tardia passou a ter repercussão internacional em 1987, na Inglaterra, após a patologia ser diagnosticada em dormentes de concreto de linhas férreas expostas às intempéries. A partir daí, os estudos se aprofundaram e hoje se sabe que existem 3 tipos de etringita. Além da tardia, a secundária e a primária. “Ataques de sulfatos ocasionados pelo ambiente geram a etringita secundária, que também é de longo prazo. Já a etringita primária ocorre nas primeiras horas de hidratação do concreto”, diz Battagin. 

Em sua mais recente revisão, de 2015, a ABNT NBR 12655 (Concreto de Cimento Portland – Preparo, controle e recebimento) recomenda usar cimentos resistentes a sulfatos, na prevenção contra etringita tardia. Mas essa norma técnica não traz um aprofundamento sobre como prevenir a DEF, como faz a ABNT NBR 15577-1 (Agregados – Reatividade álcali-agregado) com relação à manifestação de RAA. Além disso, em sua videoaula Arnaldo Battagin salienta que a Reação Álcali-Agregado não depende só do traço do concreto e de seus agregados, mas também das condições de exposição da estrutura, seu tipo e suas dimensões.  

Por tudo isso, explica o geólogo, é importante o Brasil ter uma norma específica de prevenção contra a etringita tardia, assim como tem uma que orienta como se precaver da RAA. Por fim, ele destaca onde não se pode aceitar em hipótese alguma a ocorrência da DEFA patologia deve ser evitada em estruturas para usinas nucleares, barragens, túneis e dormentes de vias férreas, além de pontes e viadutos construídos em condições e em ambientes excepcionais”, conclui. 

Assista à íntegra da videoaula  

Entrevistado
Reportagem com base na videoaula “Prevenção de fenômenos expansivos no concreto. Formação da etringita tardia”, concedida pelo geólogo Arnaldo Forti Battagin, gerente de tecnologia da ABCP 

Contato
cursos@abcp.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

5 de janeiro de 2021

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