Na pandemia, mercado imobiliário apresenta recuperação em “V”

Setor supera expectativas e faz com que estoque de imóveis fique reduzido a 10 meses, o menor da década
2 de dezembro de 2020

Na pandemia, mercado imobiliário apresenta recuperação em “V”

Na pandemia, mercado imobiliário apresenta recuperação em “V” 1024 577 Cimento Itambé
Venda digital também deu forte impulso para que o mercado imobiliário se mantivesse aquecido na pandemia Crédito: iStock

Venda digital também deu forte impulso para que o mercado imobiliário se mantivesse aquecido na pandemia
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Em sua 5ª medição sobre o comportamento do mercado imobiliário brasileiro no período de pandemia de COVID-19, a Brain Inteligência Estratégica mostra que o setor apresenta recuperação em “V”, após a doença ter atingido seu auge em abril de 2020, o que causou lockdown em várias capitais brasileiras. O termo recuperação em “V” ocorre porque as teorias econômicas definem a retomada do crescimento em 4 letras: “V”, “W”, “L” e “U”.

Em “V” é quando, após uma queda rápida da atividade econômica, acontece uma alta na mesma intensidade. O “W” ocorre quando a retomada econômica alterna fases de crescimento com contração. Já o “L” é o pior dos cenários: a atividade econômica cai e não se consegue prever a recuperação. Quanto ao “U”, indica que, depois de uma queda, há um período maior de abatimento da economia antes de uma retomada mais robusta.

A retomada do crescimento em “V” era uma expectativa da equipe econômica do governo, mas apenas alguns segmentos estão registrando essa tendência. O mais forte deles é o da construção imobiliária. A ponto do setor ter estoque para apenas 10 meses – o menor da década. Ou seja, se não houvesse nenhuma construção em andamento no país, o volume de apartamentos, casas e sobrados novos à venda acabaria por volta de setembro de 2021. O que explica essa intensa procura por imóveis no Brasil, principalmente no 2º semestre de 2020, são as baixas taxas de juros.

A nova realidade barateou o financiamento imobiliário de longo prazo e permitiu que quem morava de aluguel buscasse o 1º imóvel. “Além disso, apesar da pandemia, a vida continua. O Brasil tem, em média, 1 milhão e 100 mil casamentos por ano e 1 milhão e 500 mil pessoas mudando de cidade anualmente”, avalia o economista Fábio Tadeu Araújo, diretor da Brain Inteligência Estratégica. “Esse cenário fez o financiamento imobiliário crescer 34,8% no acumulado de 12 meses (novembro de 2019 a outubro de 2020)”, completa.

Comprador busca bem-estar e até imóveis de lazer estão com boa procura

Outro fator que estimula a corrida por imóveis é que a taxa Selic baixa tornou a renda fixa pouco atrativa. Isso fez com que os investidores migrassem para o mercado imobiliário, principalmente em busca de unidades de alto padrão. Essa avalanche de compradores faz organismos ligados à construção civil preverem que o setor possa crescer de 5% a 10% em 2020. “O setor vai crescer, provavelmente em dois dígitos em relação ao ano passado”, diz o engenheiro civil José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

O novo estudo da Brain Inteligência Estratégica mostra que a busca por imóveis novos tende a seguir em alta até 2022, pois 46% de potenciais compradores disseram que pretendem comprar imóvel em 2 anos. “O mercado impressiona, pois até imóveis de lazer estão com boa procura, como casas na praia e propriedades rurais (sítios e chácaras). As pessoas estão em busca do bem-estar”, cita Fábio Tadeu Araújo.

Para finalizar, tanto os analistas de mercado quanto os organismos ligados à construção civil estão convictos de que a venda digital também deu forte impulso para que o mercado imobiliário se mantivesse aquecido na pandemia. “Quando abrimos nossos números, percebemos o ganho de share das empresas mais estruturadas em venda digital, se comparadas com aquelas que não acreditavam que poderiam realizar vendas online para o cliente. O digital passou a ser uma realidade no dia a dia das construtoras e incorporadoras”, conclui o presidente da CBIC.

Assista ao vídeo da apresentação “5ª onda – COVID-19: o que esperar para 2021”

Entrevistado
Reportagem com base no webinar “5ª onda – Covid-19: o que esperar para 2021”, da Brain Inteligência Estratégica, com informações da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Contatos
contato@brain.srv.br
ascom@cbic.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

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