Futuro aeroporto na Antártica terá pista de concreto UHPC

Projeto prevê uso de 11.500 blocos, cada um pesando cerca de 10 toneladas. Construção deve durar até 2040
19 de janeiro de 2021

Futuro aeroporto na Antártica terá pista de concreto UHPC

Futuro aeroporto na Antártica terá pista de concreto UHPC 1024 410 Cimento Itambé
Geólogos australianos já realizaram a prospecção da área em que será construído o aeroporto. Próximo passo é obter apoio internacional Crédito: Aron Gavin/Australian Antarctic Program

Geólogos australianos já realizaram a prospecção da área em que será construído o aeroporto. Próximo passo é obter apoio internacional
Crédito: Aron Gavin/Australian Antarctic Program

Austrália busca parceiros internacionais para construir o primeiro aeroporto permanente na Antártica. O país lidera o projeto, pois a obra será construída dentro do território que cabe a ele no continente gelado. O plano prevê que a pista de pouso e decolagem terá 2,7 quilômetros de extensão e 40 metros de largura. O revestimento será com blocos de concreto de ultra-alto desempenho (Ultra-High Performance Concrete [UHPC]) por causa das condições climáticas da Antártica.  

Estima-se que pista vai precisar de 11.500 blocos de concreto UHPC, cada um pesando cerca de 10 toneladas. Essas estruturas serão fabricadas na Austrália e transportadas de navio até o canteiro de obras. Se sair do papel, será a maior obra já viabilizada na Antártica. Sua construção exigirá a presença efetiva de 250 trabalhadores no continente gelado, por pelo menos 18 anos. A previsão é que, se tudo der certo, o aeroporto entre em operação em 2040. A Austrália planeja iniciar as obras em 2022. 

Porém, há forte resistência de setores de defesa ambiental contra o projeto. Calcula-se que a terraplanagem para a construção do aeroporto exigirá a movimentação de 3 milhões de m³ de terra, rochas e gelo. Para os que são contra a obra, isso causaria danos irreversíveis à região. Kim Ellis, diretor do Programa Antártica Australiana, reconhece que haverá “impactos ambientais inevitáveis”, mas justifica a construção defendendo que o aeroporto permitiria um aumento significativo das atividades científicas de todos os países que possuem base na Antártica. 

Estação Comandante Ferraz agrega tecnologias que podem ser usadas na obra do aeroporto 

Ainda não é possível ter o valor da obra com precisão, mas estima-se que ficará na casa dos bilhões de dólares. Por isso, a Austrália busca um consórcio internacional para viabilizar o aeroportoO Brasil, que em 2020 inaugurou a mais moderna base de pesquisa no continente gelado – ganhando, inclusive, prêmios internacionais – estuda tornar-se parceiro na construção do aeroporto. Atualmente, existe uma pista de pouso sazonal na Antártica, que só funciona no verão do continente. Ela é revestida com cascalho, mas fica coberta de gelo a maior parte do ano. Só aeronaves especiais conseguem permissão para aterrisagem. 

A construção da nova estação brasileira na Antártica – a Comandante Ferraz – agrega tecnologias que podem ser usadas na eventual obra do aeroporto. Projetada pelo escritório curitibano Estúdio 41, a obra ganhou a 7ª edição do Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel em novembro de 2020. A estação foi construída pela estatal chinesa CEIEC, cuja especialidade é executar projetos em condições adversas e em ambientes inóspitos. Inaugurada em março de 2019, a Comandante Ferraz foi erguida em 540 dias. As fundações da estação utilizam concreto de ultra-alto desempenho e aço especial misturado com liga de carbono, resistente a patologias. 

Entrevistado
Australian Antarctic Program (Programa Antártica Australiana) (via departamento de imprensa) 

Contato
media@antarctica.gov.au

Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330

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