Construção comemora juro baixo e prevê crescer 3,8% em 2021

Dados superam expectativas e minimizam temores gerados com a chegada da pandemia no Brasil 
8 de dezembro de 2020

Construção comemora juro baixo e prevê crescer 3,8% em 2021

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Ciclo contratado na construção imobiliária garante bom volume de obras para 2021 Crédito: Banco de Imagens

O que esperar de 2021? Essa é a pergunta que todos os segmentos ligados à cadeia produtiva da construção civil estão fazendo. Com a possibilidade de o Brasil iniciar uma vacinação em massa contra a epidemia de COVID-19 ainda no primeiro semestre do próximo ano, o que se percebe entre os organismos representativos do setor é que existe um otimismo moderado. As recentes projeções coordenadas pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE) confirmam isso. Um dos dados mais relevantes é que o PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil deverá crescer 3,8% em 2021. 

O que leva a essa previsão positiva são os lançamentos de empreendimentos que estão saindo do papel. Por conta dos juros baixos, a construção imobiliária ficou com estoque muito reduzido e, diante da alta demanda, acelerou a execução de obras. “Boa parte do crescimento projetado para 2021 será para atender os contratos firmados em 2020”, avalia o presidente do SindusCon-SP, Odair Senra. A coordenadora de projetos da construção do FGV IBRE confirma a análise. “Há um ciclo contratado na construção, com obras que entrarão em atividade. A preocupação é com a sustentação desse ciclo de crescimento”, completa a economista Ana Maria Castelo. 

O que os empreendedores do setor mais temem é que o governo federal não consiga implementar as reformas necessárias e, consequentemente, não possa sustentar os juros baixos. Essa preocupação foi exposta pelo presidente do conselho administrativo da MRV Engenharia, o engenheiro civil Rubens Menin, durante painel realizado na edição virtual do 92º ENIC (Encontro Nacional da Indústria da Construção). O empresário comemora o fato de, em plena pandemia, o país ter conseguido reduzir as taxas de juros, o que permitiu um crescimento surpreendente no volume de negócios do mercado imobiliário, mas tem receio de que a construção tenha que voltar a pisar no freio.  

“O juro baixo é extremamente inclusivo, pois permite acesso de um grande número de pessoas à casa própria. Porém, ele precisa ser sustentável e tem um fantasma que pode ameaçá-lo em 2021: a inflação. Para que isso não ocorra, e para que a construção civil não tenha mais um voo de galinha, as reformas são fundamentais. Além disso, não é hora da construção civil ter de pisar no freio novamente. Pelo contrário, ela precisa dobrar de tamanho em um país que tem tanta carência de obras. Temos de modernizar a agenda do Brasil com as reformas, porque o mundo está se modernizando e não podemos ficar para trás”, afirma Menin.  

Há indicativos de que 2021 possa assegurar crescimento sustentável do setor 

Para Rodrigo Navarro, presidente-executivo da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), se existem temores também há sinais de que se pode alcançar um crescimento sustentável em 2021. “Com muito trabalho, estamos retomando o crescimento que tivemos nos dois anos anteriores (2018 e 2019). Este ano tem sido de desafios e superações. Porém, a demanda alta no varejo, o aquecimento da construção imobiliária e o lançamento do programa Casa Verde e Amarela trazem indicativos de que poderemos ter sustentabilidade do crescimento em 2021″, observa. 

Geraldo Defalco, presidente da Anamaco (Associação Nacional de Comerciantes de Material de Construção) coloca mais um ingrediente, que, segundo ele, tende a sustentar o crescimento em 2021. “Trata-se da consolidação da venda digital, que já alavancou o varejo durante a pandemia e tem condições de manter as vendas em um cenário positivo”, diz, ao participar de recente fórum virtual da Anamaco (Desenhando cenários e construindo caminhos para o MATCON em 2021). Por fim, o presidente do SNIC/ABCP (Sindicato Nacional da Indústria de Cimento e Associação Brasileira de Cimento Portland), Paulo Camillo Penna, consolida o sentimento de otimismo moderado do setor. “Acreditamos que o bom desempenho deve continuar, mas a médio prazo ainda contamos com um horizonte de incertezas”, conclui.     

Entrevistados
SindusCon-SP, AbramatAnamaco, SNIC/ABCP, FGV IBRE e opiniões empresariais dentro do 92º ENIC (via assessoria de imprensa) 

Contatos
sindusconsp@sindusconsp.com.br
abramat@abramat.org.br
press@anamaco.com.br
dcc@abcp.org.br
snic@snic.org.br
ascom@cbic.org.br
assessoria.fgv@insightnet.com.br 

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

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