Em alta, mercado de skate aquece também a construção civil

Após jogos olímpicos, pistas públicas construídas com concreto armado ganham a atenção das prefeituras
25 de agosto de 2021

Em alta, mercado de skate aquece também a construção civil

Em alta, mercado de skate aquece também a construção civil 1024 683 Cimento Itambé
Porto Alegre construiu às margens do rio Guaíba o maior complexo público de skate da América Latina Crédito: Giulian Serafim/PMPA

Porto Alegre construiu às margens do rio Guaíba o maior complexo público de skate da América Latina
Crédito: Giulian Serafim/PMPA

As 3 medalhas de prata conquistadas pelo Brasil nas modalidades olímpicas de skate movimentaram o mercado do esporte no país. Em buscas na internet, o segmento cresceu 1.150% durante os jogos de Tóquio. Também aumentou o número de adeptos. Segundo dados da Confederação Brasileira de Skate, atualmente há mais de 5 milhões de skatistas no país – entre profissionais e amadores. E eles precisam de locais para praticar o esporte, o que beneficia também a construção civil. As principais prefeituras do país já anunciaram que irão revitalizar as pistas já existentes e construir novos espaços.

O material que predomina nessas obras é o concreto armado. Mas para ter durabilidade, uma pista de skate precisa seguir procedimentos bem específicos, que vão desde o estudo do solo até as propriedades do concreto que será lançado na construção. Por exemplo, se houver lençol freático no local em que será instalada a pista, e se não for feita a correta impermeabilização do terreno, o risco de ocorrerem infiltrações é considerável. Essa recomendação vale para as estruturas que ficam a céu aberto, e que no Brasil são predominantes.

As pistas mais comuns construídas em áreas públicas são as do tipo bowl (semelhante a uma piscina vazia), mini ramp (uma rampa de frente para outra) e a plaza (planície com obstáculos e elementos como corrimãos e escadas). Independentemente do modelo a ser construído, as fundações devem atender a ABNT NBR 6122:2019 – projeto e execução de fundações. Na maioria das pistas de skate, devido às baixas cargas atuantes, pode-se executar uma fundação superficial, também chamada de rasa ou direta, conforme recomendação normativa.

Nos casos das pistas de skate do tipo bowl recomenda-se utilizar uma fundação composta por pilares e vigas de cintamento para conferir maior durabilidade e reduzir o surgimento de manifestações patológicas. Quanto às fôrmas que irão moldar o desenho da pista, deve-se dar preferência aos compensados navais tratados e aos madeirites próprios para a construção de pistas de skate. Já o concreto a ser aplicado na obra precisa ser o dosado em central, com resistência variando entre 30 MPa e 40 MPa. O acompanhamento do processo de cura deve ser rigoroso. 

Complexo para skatistas de Porto Alegre consumiu 940 m³ de concreto  

O acabamento exige muito cuidado nas transições da pista e deve ser executado em um processo artesanal, ou seja, manualmente. Existem desempenadeiras especiais para as áreas curvas, côncavas e convexas. Nas superfícies planas é recomendado o uso de alisadores de concreto. Os escritórios de arquitetura e urbanismo especializados na construção de pistas de skate em áreas públicas sugerem que a técnica usada no acabamento da obra deve ser a mesma utilizada nos sistemas que usam concreto polido. 

Entre as cidades que possuem projetos para pistas de skate, o caso mais emblemático é o de Porto Alegre-RS. Está em fase final de execução o maior complexo da América Latina para skatistas. A estrutura já foi certificada pela Confederação Brasileira do Skate e poderá receber competições oficiais nacionais e internacionais. O investimento na pista chega a 2,4 milhões de reais e o projeto teve a consultoria dos dois principais escritórios de arquitetura especializados nesse tipo de obra no Brasil: o Spot Skateparks e o Rio Ramp Design 

A área total da pista abrange 6.268 m². A construção recebeu 940,20 m³ de concreto e 19,50 toneladas de aço. O complexo conta com cinco formatos de pistas: três verticais (bowl, flow park e snake run) e dois da modalidade street (plaza e flow). Todas estão localizadas no trecho 3 da Orla do Guaíba. A revitalização dessa área tem como tema central a prática de esportes. Em um trecho de 1,6 quilômetro estão em construção 29 espaços para modalidades esportivas, além de ciclovia. O investimento total é de 53,4 milhões de reais. 

Entrevistado
Prefeitura de Porto Alegre, Spot Skateparks e Rio Ramp Design (via assessorias de imprensa) 

Contatos
gabinete.smim@portoalegre.rs.gov.br
contato@skatespot.com.br
contato@riorampdesign.com 

Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330

25 de agosto de 2021

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