Alemanha ergue 1ª edificação com concreto de carbono

Prédio-protótipo em construção na Universidade Tecnológica de Dresden será inaugurado em 2022
14 de setembro de 2021

Alemanha ergue 1ª edificação com concreto de carbono

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Execução de um painel de concreto de carbono: pré-fabricação artesanal e espessuras bem menores que o concreto armado Crédito: Jörg Singer/TU Dresden

Execução de um painel de concreto de carbono: pré-fabricação artesanal e espessuras bem menores que o concreto armado
Crédito: Jörg Singer/TU Dresden

Está em construção no campus da Universidade Tecnológica de Dresden, na Alemanha, a primeira edificação que dispensa armaduras de aço, substituindo-as por telas de fios de fibras de carbono. Sai o concreto armado e entra o concreto de carbono, como definem os pesquisadores da TU Dresden 

A vantagem da tela com fios de fibras de carbono é que ela não sofre a ameaça de carbonatação, como ocorre com as armaduras convencionais. Portanto, está isenta de algumas patologias que atingem o concreto armado. Por isso, de acordo com os ensaios em laboratório, o concreto de carbono tende a ter vida útil mais longa. 

Outra característica do concreto que usa armadura à base de fibras de carbono é que ele é 4 vezes mais resistente que o concreto convencional. “Isso permite projetar estruturas mais esbeltas, e que conseguem suportar cargas iguais a grandes estruturas de concreto armado”, diz o engenheiro civil e arquiteto Gunter Henn, da Henn Arquitetura, que projetou o edifício em construção na TU Dresden. 

O prédio batizado de “The Cube” foi planejado para ter laboratórios e salas de evento. Henn projetou o edifício em parceria com o Instituto de Estruturas de Concreto da TU Dresden. “A meta é que a construção emita 50% menos CO₂ que uma construção convencional”, afirma o professor Manfred Curbach, que atua na universidade alemã. 

Projeção de como ficará o “The Cube” depois de concluído: concreto de carbono permite paredes esbeltas e curvas Crédito: Heen

Projeção de como ficará o “The Cube” depois de concluído: concreto de carbono permite paredes esbeltas e curvas
Crédito: Heen

A ideia é que o edifício seja uma vitrine para a pesquisa da TU Dresden chamada de  (Composto de Concreto de Carbono). Existe investimento do governo alemão no projeto, que passou a estimular estudos que criem materiais na construção mais sustentáveis. “Além de gerar estruturas com alto desempenho, o concreto de carbono permite desenhos arquitetônicos com mais curvas”, completa Henn. 

Custo do concreto de carbono é estimado em 20 vezes mais caro que o concreto convencional 

O “The Cube” terá 200 m² de área construída e também contará com paredes de vidro e estruturas de concreto armado nas partes menos desafiadoras da concepção arquitetônica, como o radier e as fundações. O maior volume de C³ será usado na construção de uma das paredes laterais do edifício, que avança para se transformar no teto da obra. Todos os elementos com concreto de carbono serão pré-fabricados. O prédio já se encontra em fase de execução e a previsão é que seja inaugurado no 1º semestre de 2022. 

Construção do edifício no campus da Universidade Tecnológica de Dresden: obra utiliza elementos pré-fabricados de concreto de carbono Crédito: Stefan Gröschel/TU Dresden

Construção do edifício no campus da Universidade Tecnológica de Dresden: obra utiliza elementos pré-fabricados de concreto de carbono
Crédito: Stefan Gröschel/TU Dresden

O custo do concreto de carbono é estimado em 20 vezes mais caro que o concreto armado convencional. “A redução de custos ocorrerá no futuro, à medida que as técnicas de adição de fibra de carbono ao concreto forem aprimoradas”, avalia Manfred Curbach. A construção do “The Cube” está estimada em 5 milhões de euros 

O concreto que usa armadura à base de fibras de carbono está em pesquisa na Alemanha desde 2008. Dentro do país, mais de 140 institutos de pesquisa, empresas de construção e instituições públicas estão envolvidos no estudo. O Ministério Federal da Educação e Pesquisa financia o trabalho interdisciplinar com um orçamento de 45 milhões de euros. 

Também está em estudo na Alemanha o uso do concreto de carbono para restaurar pontes que estejam perto de completar 50 anos de vida útil. Estima-se que o material permita construir estruturas que suportem até 80 anos sem exigir manutenção. 

Entrevistado
Escritório de arquitetura Henn e Instituto de Estruturas de Concreto da Universidade Tecnológica de Dresden  

Contatos
info@henn.com
pressestelle@tu-dresden.de 

Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330

14 de setembro de 2021

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