Água, Cimento Portland e Concreto: por que não se vive sem eles?

    Ainda não criaram um material que se molda a praticamente qualquer forma e é tão resistente quanto a rocha

    25 de abril de 2019
    Insubstituível, concreto criou a arte de projetar e construir estruturas, tornando-se uma das principais invenções que transformaram o século 20. Crédito: Divulgação

    Praticamente insubstituível, concreto criou a arte de projetar e construir estruturas, tornando-se uma das principais invenções que transformaram o século 20.                       Crédito: Divulgação

     

     

    O concreto é o segundo produto mais consumido na economia global, depois da água. Consequentemente, o Cimento Portland – principal matéria-prima do concreto – também está entre os mais consumidos. E continuará assim por muitos anos ainda, estima Chris Cheeseman, professor de engenharia de recursos de materiais do Imperial College London. “A explicação é simples: o concreto é muito bom no que faz, graças ao cimento. Ainda não inventaram um material capaz de, em estado líquido, se moldar a praticamente qualquer forma. Já em estado sólido, também não criaram algo capaz de se tornar tão resistente quanto a rocha, sobretudo quando combinado com o aço”, analisa o professor.

    Outro fato que torna o concreto praticamente insubstituível é que as matérias-primas usadas para fabricar o Cimento Portland são baratas e abundantes na maioria dos lugares ao redor do globo, ou seja, se o mundo quiser continuar progredindo terá que seguir usando concreto. “A ONU estima que haverá quase 10 bilhões de pessoas vivendo no planeta por volta de 2050. Elas precisarão morar e se locomover pelas cidades, e só o concreto poderá lhes dar moradias e vias para trafegar”, completa Chris Cheeseman. A prova é que, em 15 anos (2002 a 2017), a produção global de cimento mais que dobrou. Saiu de 1,8 bilhão de toneladas para 4,1 bilhões de toneladas.

    Para Paulo Helene, o mundo se divide em a.C e d.C: antes e depois do concreto

    O professor do Imperial College London destaca outra razão que torna o concreto praticamente insubstituível. “Concreto e aço têm propriedades semelhantes de expansão térmica. Então, o aço pode ser usado para reforçar o concreto, tornando-o mais forte e flexível como material de construção do que poderia ser por conta própria. Essa combinação é difícil de superar. Inventar um material com propriedades semelhantes será muito difícil”, estima Chris Cheeseman. A tese é apoiada por um dos principais estudiosos do concreto no Brasil: o professor-doutor da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Helene. “O que ocorre entre o concreto e o aço é um milagre divino. Nenhum outro material preserva tanto o aço quanto o concreto”, afirma.

    O concreto foi patenteado em 1892, na Suíça. A partir daquele ano passou a se incorporar às cidades, propiciando transformações na engenharia e na arquitetura, além de mudanças radicais na cena urbana. “O concreto criou a arte de projetar e construir estruturas. As obras, antes limitadas à alvenaria estrutural, ganharam novas alternativas geradas pelo concreto armado. As estruturas passaram a não depender mais das paredes de vedação e isso mudou o curso da história. Vieram os prédios com vários pavimentos e uma série de outras transformações. O concreto armado é umas das grandes invenções que transformaram o século 20. Diria até que o mundo se divide em a.C e d.C: antes e depois do concreto”, conclui Paulo Helene.

    Entrevistado
    Reportagem com base em artigo do professor Chris Cheeseman, do Imperial College London, ao jornal britânico The Guardian, e em palestras de Paulo Helene, registradas pelo Massa Cinzenta

    Contato
    c.cheeseman@imperial.ac.uk

    Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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